terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

#050 Um Dia pela Vida

Hoje, UM DIA PELA VIDA. Mais uma iniciativa. Vamos, num evento simbólico, acender uma luz pela vida, no Jardim da República, esta noite, pelas 21h e assim construir uma corrente de luz. A presença de todos é fundamental para o sucesso desta iniciativa. Adquira o talão para a sua vela, junto dos elementos da Equipa Alerta Laranja. A troca dos talões pelas velas, será feita esta noite, no Jardim da República.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

#049 Sãos e doentes

A propósito dos recentes episódios Face Oculta, da disputa interna no PSD, das atitudes sobre as alegadas intromissões do Primeiro Ministro da esfera de liberdades de imprensa, socorro-me de duas frases recolhidas no livro "Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo", do japonês Haruki Murakami:
Frase 1: "Para se confrontar com qualquer coisa verdadeiramente insana, uma pessoa deve ser tão saudável quanto possível".
Frase 2: "O são e o doente não são necessariamente antagónicos, nem se encontram em lados opostos do espectro, antes de complementam e, nalguns casos, chegam mesmo a aliar-se naturalmente".
Não faço, naturalmente, mais comentários porque deixo-os à liberdade criadora da mente de cada qual.
Bom fim de semana, com tanto para ler...

#048 PSD e algo mais...

Pedro Passos Coelho?
Paulo Rangel?
José Pedro Aguiar Branco (sem hífen)?
Castanheira Barros?
Marcelo Rebelo de Sousa?
António Capucho?
Uns já se assumiram, outros são fantasmas, outros são pouco mais que desejos espúrios de saudosistas...
Os dados estão lançados.
PPC parece levar vantagem mas o PSD é pródigo em surpresas. Aguardemos.
Por outro lado, Fernando Nobre, da AMI, é mais um que surpreende o PS. O espaço para um candidato socialistas reduz-se. Cavaco agradece mas ainda é cedo para encomendar o fogo de artifício.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

#047 Eu e o meu eu!

É Sábado, manhã cedo. Estamos no início de Fevereiro e está ainda frio.
Recordo-me que desde Sábado passado corri muitos quilómetros: 8 no Sábado, 14 no Domingo, 7 na Segunda, 8 na Terça, 8 na Quarta, parei na Quinta e 11 na Sexta. Ao todo perfaz 56 quilómetros.
Correr não é, para mim, um mero acto físico.
Há quase um ano e meio decidi modificar os meus hábitos alimentares e dedicar-me mais a fazer do meu corpo uma ferramenta que possa contribuir para um envelhecimento com dignidade.
Cheguei àquela fase da vida em que o declínio do vigor físico se vai começar a fazer sentir. Primeiro, sem que eu note nada de especial. Apenas coisas pontuais. Depois, certamente, com mais provas e evidências que ire notar.
Corria 200 metros e ficava para morrer com falta de ar e com o batimento cardíaco. Também comia de tudo um pouco e bebia bebidas destiladas. E fumava cigarrilha e charuto, após longas, prolongadas e hiper-calóricas refeições. E havia as sobremesas, essas coisas que inventámos como se o nosso corpo precisasse de mais açucar do que aquele que há fruta e nos alimentos.
Comecei por correr, andar de bicicleta, jogar futebol novamente com um grupo de amigos, às segundas-feiras, no pavilhão da Escola D. Miguel de Almeida.
Confesso que andar de bicicleta não me entusiasma, talvez por a minha ser pesada e não me sentir preparado psiquicamente para despender muito dinheiro por uma mais leve.
O futebol, este ano lectivo, com a escola em obras, ficou sem efeito.
Sobrou a corrida. Primeiro ao ar livre, depois numa passadeira, em casa.
Comprei também uns aparelhos de halteres. Passei a ir, de vez em quando ao ginásio, aprender novos exercícios que possa fazer em casa, corrigir outros que possa estar a praticar e sejam inadequados ou os esteja a executar de modo deficiente.
Ao mesmo tempo, mudei de hábitos alimentares. As carnes vermelhas saíram da minha dieta alimentar, por regra. Muito esporadicamente como porco ou vaca. Passei a comer frango, peru, coelho, e peixes como o salmão, o atum, pescada e ainda outros bichos do mar como os camarões, o polvo ou os chocos.
Acompanho com dieta variada de massas com legumes ou só legumes, muito diferenciados, seja em salada ou estufados. Aí não sou esquisito: couve, cenoura, tomate, alface, rúcula, feijão verde, courgette, beringela, cogumelos (muitos e de muitas variedades).
Faço isto diariamente. Só bebo água fora das refeições e o pão faz parte do pequeno almoço, assim como os cereais da última e ligeira refeição, antes de me deitar.
Batata, arroz e açucares estão banidos por mim, em regra. Fruta e sopa é obrigatório.
À noite, muitas vezes, acompanho o jantar com um copo de vinho tinto.
A verdade é que perdi mais e 20 quilos e ganhei uma nova força física e psíquica. Até a minha acuidade visual melhorou. Usava óculos e na última consulta a que fui, ao oftalmologista, o mesmo disse-me que não preciso de usar óculos. O mesmo que os havia prescrito anos antes e que já me reforçara a graduação.
Tenho força e vigor. Acordo sempre com boa disposição. Subo e desço escadas sem me cansar e tenho uma energia no trabalho que tinha perdido.
Tenho esperança de que esta nova forma de encarar a vida, mais saudável, possa prolongar o momento do declínio do corpo e da mente. Tenho vontade de viver! Não quero ter os mesmos problemas que os meus antecessores, de ambos os lados (materno e paterno) tiveram, sobretudo os homens, de uma vida curta e sem o prazer de usufruir a sua velhice com dignidade.
Estabilizei agora o meu peso: 73-74 quilos. Raramente chego aos 75 mas não fico alarmado com isso nem vivo em função da balança. Há mais de 15 dias que não me peso mas se pesar mais, sei que será por massa muscular e não por gordura acumulada.
É evidente que há aqui mais do que mera questão física.
Há o prazer de gostar de me ver mais bem cuidado e com melhor apresentação.
Há o prazer de saber que não me canso como cansava.
Há o prazer de comprovar que tenho mais energia para trabalhar e mais poder de concentração para fazer as coisas bem feitas, durante mais tempo, sem evidenciar a fadiga que antes evidenciava.
Há a sensação de bem-estar que o exercício físico provoca.
Há ainda a forma mais lúdica como encaro a vida. A forma como hoje me preparo para ir assistir a um concerto, a um bailado, a uma peça de teatro, a uma sessão de cinema ou a visitar um museu, coisas que não fazia por serem um fardo.
Há a noção de que a escrita voltou a fazer parte dos meus objectivos de vida - e voltei a escrever para mim, pensamentos e histórias, narrativas e ficções, testemunhos de alma e apontamentos de factos da vida.
Afastei-me da vida política activa. Colaboro num programa de rádio. Ainda penso em dar algum tempo à arte de Talma, proporcionar-me mais espaço de reflexão e encontro de um caminho sereno e lúcido, para poder deixar-me envelhecer com dignidade, compreendendo as limitações que a força do tempo irá trazer. Não se ganha nunca a luta contra o tempo. Nem tem de ser empreendida nenhuma luta contra o tempo. Eu procuro fazer o meu trabalho de me preparar para a intervenção que o tempo terá no meu eu. Sei que o tempo, desde que é tempo, decidiu andar sempre para a frente. E eu aplaudo a forma coerente como esse, ao menos e ao contrário dos políticos, não muda nunca a direcção, nem o seu destino, nem o ritmo a que pula e pula e pula, sempre no mesmo sentido.
É neste ponto que me encontro e é esta a reflexão que faço, ao correr da pena, a um Sábado matinal de Fevereiro de 2010.
Xiiiiiii! 2010?
Quando eu era miúdo pensava que, se chegasse ao ano 2000, faria 32 anos e que seria já velho. Agora que, dez anos depois, vou a caminho dos 42, sinto-me novo e espero "dobrar" ainda algumas décadas que o tempo - sempre o tempo! - fixa no calendário.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

#046 O vazio

O vazio é uma gorda sensação de estarmos possuídos por nada, sentindo que nos falta tudo.
É!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

#045 O regresso aos campos

O que vou dizer pode ser fracturante e até mal entendido.
Vamos por partes.
O interior está despovoado, certo?
Todos desejaríamos um interior do país com mais pessoas, certo?
Não se conseguiu ainda encontrar a fórmula para que isso possa acontecer de modo natural, certo?
As florestas e matas estão ao abandono e muitos dos proprietários não estão nada interessados em cuidar das mesmas, antes contribuindo para aumentar os riscos de incêndio, certo?
O país afunda-se na necessidade de ser cada vez mais social e mais protector face aos que menos têm, certo?
Tudo isso tem custos financeiros e económicos que se projectam para o futuro a muito longo prazo, certo?
Se tudo isto for certo, porque não adoptar uma política de proporcionar aos que são apoiados pelo Estado, famílias inteiras que vivem do Estado Social, a oportunidade de serem 'donos' do seu pedaço de terra no interior?
Se calhar é tempo de mexer nas leis da propriedade fundiária e redistribuir as mesmas, as que estiverem manifestamente abandonadas, junto daqueles que, ainda que continuando a receber transitoriamente apoios do Estado se dediquem a recuperar o campo, a cuidar das matas, a efectuarem investimentos na produção de hortículas, de fruta, diminuindo a nossa dependência em produtos do sector primário face ao exterior?
Mas não. Não é isso que acontece. O Estado dá e as pessoas escolhem ser apoiadas preferindo, ainda assim pouco ou nada fazerem para mudarem a sua condição de vida.
Não falo em coagir, falo em propor acordos, falo em convidar pessoas que são úteis, que estão saudáveis, que apenas a sorte não escolheu para orientarem a vida, para que possam regressar ao interior, em condições de comodato de terreno a longo prazo, depois de a posse de algumas propriedades ser retirada a proprietários negligentes ou que, por razão económica, não possam mais continuar a manter em bom estado de limpeza e uso as suas propriedades, integrando as mesmas no património do Estado.
O Estado seria o dono, os beneficiários da solidariedade pública seriam os visados com esta medida e teriam a posse do terreno, em comodato, a 20, 30, 40 ou mesmo 50 anos.
O país ganharia produção agrícola e os apoios dos fundos comunitários chegariam ao seu destino, modernizado e equipando novas estruturas de produção.
O sector cooperativo ganharia novo fôlego.
As escolas abandonadas ganhariam novos alunos.
As aldeias desertas aumentariam a sua população.
A floresta estaria melhor cuidada e os riscos de incêndio seriam menores.
Os aderentes poderiam até ter os seus apoios sociais majorados.
Mas, para isso, urge fazer uma reforma da lei da propriedade privada. Esta é a minha visão à esquerda, se quiserem. Mas não acho mesmo nada que se deva manter tudo como está. Porque já se provou que os resultados são maus, catastróficos. O interior desaparece e nas grandes concentrações urbanas prosperam caldos de cultura muito diferenciados, originando guetos, crise social, conflitos, violência, marginalidade e a instauração de um ambiente terceiro-mundista, lado a lado com a opulência e a ostentação dos grandes loteamentos e condomínios.
Certezas não tenho, nem sequer a de ter alguma ponta de razão. Mas aqui deixo uma das possíveis leituras e uma das possíveis soluções.

domingo, 17 de janeiro de 2010

#44 A meio de Janeiro

Manuel Alegre assume-se disponível para avançar contra Cavaco. Este, por sua vez, faz germinar mais um tabu. Ainda é cedo, talvez, mas o ano de 2009 correu mal ao Presidente e houve mesmo quem vaticinasse que não seria recandidato.
Pelo distrito de Santarém, entre um PS que se afunda - nem me recordo agora quem o lidera, veja-se! - e um PSD que nada acrescenta à (des)ilusão política, sobra espaço para que imperem alguns populismos.
Ontem fui sondado para integrar uma lista de delegados de Abrantes à Assembleia Distrital do PSD. Fui agradecido mas informei que a minha indisponibilidade se mantém. Não tenho condições para fazer um bom mandato, não pretendo uma lista de falsos consensos e jamais integraria a lista lado a lado com algumas pessoas que não me quiseram bem no passado. Fico melhor de fora, a observar.
Nos Centros de Emprego e de Formação Profissional de Tomar houve mudanças. Lurdes Botas, ex-Presidente da Junta de Freguesia de S. Miguel do Rio Torto, ex-membro da Assembleia Municipal, eleita sempre pelo Partido Socialista, dirige agora a casa do (des)emprego de Tomar. Boa sorte. A vida é assim mesmo. Parece que a decisão apanhou muita gente de surpresa, até mesmo dirigentes distritais do PS.
Por Abrantes tivemos a apresentação do programa cultural para 2010. Acho estranho ser possível programar todo o ano no seu início: muita coisa será mudada ao longo dos meses. Mas o formato foi agradável e a banda de jazz foi interessante.
Já agora, recomendo uma imperial no bar Aquapolis, recentemente remodelado. Na cidade não conheço cerveja que saiba melhor, neste momento. O espaço é agradável, a gerência afável, os colaboradores simpáticos e disponíveis. Ainda não refeiçoei por lá mas não deve tardar. A salada de polvo e as moelas, perto das 2 da manhã, são um consolo ao estômago e à alma.
Entretanto, na Galeria Municipal de Arte está a exposição sobre a obra de Gonçalo Byrne. Boa exposição, inaugurado com o próprio, na presente de muita gente, nomeadamente João Rodeia, Carrilho da Graça e o escultor Charters d'Almeida. Foi um momento agradável na tarde de 6ª feira.
Norberto Bernardes assumiu as suas funções como Provedor Municipal do Cidadão, no meio de algum ruído de fundo provocado pelos eleitos do PSD. Recordo-me de ter sido eu e o José Moreno quem o propôs no mandato anterior. Como os tempos mudam, mudas os protagonistas e a vontade das organizações parece que muda também. Felicidades, major-general!
Por falar nisso, alguém sabe onde anda o PSD? Não os vejo em lado nenhum... bem sei que a campanha eleitoral já terminou mas estranho a ausência na vida em sociedade, algo de que fui tantas vezes acusado no passado pelos agora dirigentes e eleitos locais. A Presidente da concelhia bem faz o seu esforço e sei que ela é esforçada mas é difícil mesmo modificar comportamentos inculcados no espírito dos que têm dificuldade em sair da mediania - alguns não passam mesmo da mediocridade, tal como acontece em todas as organizações. Quem perde é a democracia. Quem ganha é, como sempre, quem usa o poder.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

#043 Breve reflexão de Ano Novo

«Ano Novo, Vida Nova!», diz o povo, desde que me recordo de ter memória. Atingimos mais um patamar, a "chapa 10".
Há tanta coisa que desejo para este ano. Mas não vou começar aqui a desfiar a lista, porque pareceria imodesto.
Prefiro antes esperar que muitos dos desejos, que não dependem todos da minha exclusiva vontade, se possam realizar.
Entre muitos, não posso deixar de reclamar saúde. Saúde é um bem essencial, que valorizamos sobretudo quando a mesma nos falha ou falha a quem nos está próximo. Mas Saúde é, também, o motivo da minha actividade profissional. Existo hoje, enquanto profissional, porque a minnha vida é organizar serviços que se destinam a promover a saúde, a prevenir e a tratar a doença. Não deixa de ser um paradoxo reclamar saúde para mim e para os meus e, ao mesmo tempo, desejar que seja na saúde, nos serviços que existem para, muitas vezes, fazer diminuir o sofrimento daqueles que não têm saúde, que eu me possa continuar a realizar como pessoa e como profissional.
O mundo é, todo ele, como sabemos, uma enorme teia ou mesmo, se quisermos, várias teias complexas e difusas, de redes sociais que se entrecruzam e de interesses legítimos, que se tocam e se juntam e se separam e se voltam novamente a tocar. Nada é mais linear, que me recorde, excepto o tempo. Esse sim, segue o ser percurso impassível aos apelos de quem lhe pede tempo para se organizar, para se preparar para os tempos que aí vêm. Tudo resto são curvas, segmentos de recta, planos oblíquos, redes tridimensionais, planos axiométricos de formas geométricas estranhas e indetectáveis. Quando menos esperamos estamos em contacto com realidades, mundos e pessoas que nem sabíamos que estavam tão próximas da nossa realidade e, por incrível que pareça, aqueles que pensamos próximos de nós estão, afinal, algo distantes.
A idade traz-nos sabedoria, se a procurarmos; a vida de estudo traz-nos conhecimento, se por isso lutarmos. O essencial é a correcta combinação destes dois ingredientes. Espero que o ano de 2010 me traga saúde e, já agora, uma justa combinação destes elementos porque, com eles, com o seu relativo domínio, julgo que consegurei lutar para obter e manter o resto dos votos que formulei e que, afinal, são até simples e serão, em mais de 90% (julgo) os mesmos que todos nós pedimos em cada ano que se inicia.
Vamos começar bem, vamos começar com força, energia e atitude, apesar do estado de desgraça que, até com alguma graça, alguns dirigentes conseguiram atribuir ao Portugal que nos é apresentado no cardápio.

domingo, 29 de novembro de 2009

#041 Portugal pode falir? Pode, claro, como qualquer outro país...

Martin Avillez Figueiredo é um jornalista atento aos factos do Mundo e aprecio a forma como ele consegue ligar os acontecimentos à realidade portuguesa.
Não é que ele tenha descoberto a pólvora mas este artigo dele sobre o Dubai e as possibilidades de falência daquele pequeno Estado, tal como poderá suceder em Portugal, é uma realidade a não negligenciar.
Há muito que digo que Portugal é um país condenado e inviável, tal como está. Ou o petróleo e descoberto enquanto a 'economia do petróleo' ainda impera ou estamos prestes a entregar-nos a quem nos queira tomar. O problema - um grande problema - é que não acredito que exista quem nos queira pegar assim, tal como somos e estamos.
Vêm aí tempos ainda mais difíceis.

Contratempo dá prémio a alunos da ESTA

Parabéns à ESTA e aos alunos que conseguiram vencer o Concurso Canon do Estorial Film Festival 2009. Ao Pedro Cruz, ao Alexandre Carrança, à Ana Filipa Silvestre, ao João Almeida, ao Rafael Coelho, à Sara Bastos, à Soraia Arruda, ao Telmo Domingues, ao Vítor Rosário e à Carolina Balby, todos eles desconhecidos no 'meu mundo', muitos parabéns e votos de que prossigam com o seu ciclo de trabalhos com elevada qualidade.
Obrigado ao André Lopes por me ter dado a conhecer este bonito e sensível trabalho.
Como abrantino, fico orgulhoso.

#040 Pedrada no Charco


Com a sua habitual lucidez e notável capacidade de 'ler' o mundo que nos rodeia, António Barreto discorre, na edição de fim de semana do jornal "i", uma brilhante leitura do estado actual de Portugal.
Recomendo uma leitura na íntegra.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

#039 Leituras

O PROBLEMA DO FRANGO ATRAVESSAR A RUA,
SEGUNDO A OPINIÃO DE ILUSTRES PENSADORES DO PASSADO E DO PRESENTE

O frango atravessou a rua. Porquê?

Professora Primária
"Porque o frango queria chegar ao outro lado da rua."

Criança
"Porque sim."

Platão
"Porque queria alcançar o Bem."

Aristóteles
"Porque é da natureza do frango atravessar a rua."

Descartes
"O frango pensou antes de atravessar a rua, logo, existe."

Rousseau
"O frango por natureza é bom; a sociedade é que o corrompe e o leva
atravessar a rua."

Freud
"A preocupação com o facto de o frango ter atravessado a rua é um
sintoma de insegurança sexual."

Darwin
"Ao longo dos tempos, os frangos vêm sendo seleccionados de forma
natural, de modo que, actualmente, a sua evolução genética fê-los
dotados da capacidade de cruzar a rua."

Einstein
"Se o frango atravessou a rua ou se a rua se moveu em direcção ao
frango, depende do ponto de vista... Tudo é relativo."

Martin Luther King
"Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos livres podem
cruzar a rua sem que sejam questionados os seus motivos. O frango
sonhou."

George W. Bush
"Sabemos que o frango atravessou a rua para poder dispor do seu
arsenal de armas de destruição maciça. Por isso tivemos de eliminar o
frango."

Cavaco Silva
"Porque é que atravessou a rua, não é importante. O que o país precisa
de saber é que, comigo, o frango vai dispor de uma conjuntura
favorável. Não colocarei entraves para o frango atravessar a rua."

José Sócrates
"O meu governo foi o que construiu mais passadeiras para frangos.
Quando for reeleito, vou construir galinheiros de cada lado da rua
para os frangos não terem de a atravessar. Cada frango terá um
documento único de identificaçãoo e será avaliado e tributado de
acordo com a sua falta de capacidade para atravessar a rua."

Mário Soares
"Já disse ao frango para desistir de atravessar a rua! Eu é que vou
atravessar! Não vou desistir porque sei que os portugueses querem que
eu atravesse outra vez a rua!!!"

Manuel Alegre
"O frango é livre, é lindo, uma coisa assim... com penas! Ele
atravessou, atravessa e atravessará a rua, porque o vento cala a
desgraça, o vento nada lhe diz!"

Jerónimo de Sousa
"A culpa é das elites dominantes, imperialistas e burguesas que
pretendem dominar os frangos, usurpar os seus direitos e aniquilar a
sua capacidade de atravessar a rua, na conquista de um mundo
socialista melhor e mais justo!"

Francisco Louçã
"Porque é preciso dizer olhos nos olhos que só por uma questão racista
o frango necessita de atravessar a rua para o outro lado. É uma
mesquinhice obrigar o frango a atravessar a rua!"

Valentim Loureiro
"Desafio alguém a provar que o frango atravessou a rua. É
mentira...!!! É tudo mentira!!!"

Paulo Bento
"O frango atravessou a rua com naturalidade... Era isso que esperávamos
e foi isso que aconteceu, com muita naturalidade. O frango ainda é
muito jovem e estas coisas pagam-se caro, com naturalidade!!!"

Zézé Camarinha
"Porque foi ao engate! É um verdadeiro macho, viu uma franga camone do
outro lado da rua e já se sabe, não perdoou!!!"

Lili Caneças
"Porque se queria juntar aos outros mamíferos."

sábado, 7 de novembro de 2009

#038 Declaração de Vontade

Desde sempre tenho dedicado uma parte do meu tempo a pensar, a reflectir, a questionar-me perante os problemas do meu do mundo e, em geral, do Mundo.
Não sou um profundo conhecedor de nada nem especialista em análise social mas faço as minhas leituras. Gosto de ler e procurar interpretar comportamentos, individuais e colectivos e procuro aferir se existe nos mesmo um padrão comum, uma espécie de máximo divisor comum. Fico mesmo orgulhoso quando consigo perceber que um determinado pensamento, uma sensação, uma atitude é assumida por várias pessoas que não se conhecem e cujos mundos não se cruzam. É sinal de que algo concreto está a acontecer na comunidade.
Muitas vezes tenho procurado um novo caminho, um novo rumo, uma nova orientação na minha vida, na viagem que a parte que me é mais intangível tem de percorrer ao longo da existência física do meu corpo.
Procuro a elegância dos pensamentos, a jaquetância da escrita, a lucidez dos textos que produzo. Nem sempre tenho sucesso. Mas considero-me um afortunado por ter sido possível atingir um estadio de evolução que me permite, hoje, gostar do que escrevo, não só pela forma, como pelo conteúdo. Talvez seja o render de homenagem a Narciso, sentado na beira do seu lago, mas a verdade é que desenvolvi tal gosto pela escrita que não imagino o resto da minha existência apenas a produzir actos tecnocratas na minha profissão.
Sei que não tenho a qualidade dos grandes mestres no domínio da escrita penteada, elegante, profunda e perfumada de aromas mistos, ora densos e estruturados, ora leves e frescos, mas sei que posso sempre aprender mais, melhorar o nível qualitativo da estruturação das minhas palavras e juntar à minha existência uma nova dimensão, de fruição pela escrita.
Vários amigos têm vindo a desafiar-me a escrever com mais frequência; uns chamam-me pseudo-filósofo, outros entendem que sou um sonhador e "um lírico", pela forma como exteriorizo aquilo que penso e em que acredito. Outros vêem em mim um rastilho de tristeza e amargura que apenas precisa de um fósforo na ponta para se auto-consumir num som contínuo, consumindo-se a si mesmo até rebentar quando se esgota.
Não sei! Sinceramente, não me detenho por muito tempo a definir-me e a definir o que me caracteriza enquanto ser humano.
Apenas sei agora, de fonte segura e ideal bem consolidado, que o meu futuro vai passar por momentos mais duradouros a escrever.
No passado fiz vários ensaios para livros de contos, comecei dois ou três livros em formato de novela, iniciei um punhado de poemas que fui coligindo desde os tempos de faculdade e dei início a um livro auto-biográfico, bem documentado, desde a minha entrada na política, em meados dos anos 80. Não possuo ainda, porém, idade para autobiografias nem creio a quem isso possa interessar mas será, decerto, um legado que deixo aos meus sucessores. Pelo menos eu sinto falta de saber mais sobre os meus antecessores, dos quais sei apenas episódios fragmentados dos seus actos e pouco ou nada sei acerca do que eram os seus valores e ideais de vida. E não me venham dizer que nesse tempo as pessoas não pensavam, que não sabiam ler nem escrever, que passavam a vida a trabalhar a terra e a cuidar de uma existência vazia aos nossos olhos nos tempos que correm. Não acredito nisso, em termos generalistas.
Por isso, sei que se tiver saúde e lucidez, cada vez mais procurarei acrescentar à minha existência uma nova dimensão, que me dá já grande prazer: a de procurar que a palavra escrita me realize ainda mais. Vejo-me sentado na enorme varanda da minha casa - que ainda não existe - no Codes, debruçada sobre o vale mágico onde corre a ribeira, mansa e serena ao longo de quase todo o ano, a ouvir música, repleto de memórias de uma existência vivida com sentido, entre os despojos que terei coleccionado ao longo dos anos, em vários locais do nosso pequeno planeta Terra, cercado de imagens da minha existência e dos que me são ou foram próximos, quais fantasmas beingnos que me inspirarão a ser um criativo e inovador produtor de textos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

#037 Se não fosse trágico, até seria cómico...

...a notícia que o jornal IOnline hoje nos traz!
O corpo da notícia é o seguinte:
«Em 2011, Portugal sairá da estagnação e voltará a crescer (1%), diz a Comissão Europeia nas previsões de Outono, ontem divulgadas. Mas os contribuintes que se preparem: de 2011 inclusive em diante, terão de pagar a dívida enorme que ajudou a sanear a actual recessão e que, diz-se, ajudará a prevenir a recaída num novo ciclo recessivo. Quem, depois disto, conseguir manter o emprego agradece, uma vez que o desemprego vai manter-se em 9%, um recorde de décadas. Este panorama - desemprego alto e persistente, défices públicos em alta derrapagem e retoma insípida - é comum à maioria dos países europeus, mostra a Comissão.

No caso de Portugal, entre 2009 e 2011, a carga de impostos e contribuições deve aumentar 2,5 mil milhões de euros, mas tal será insuficiente para evitar uma explosão no défice orçamental. A despesa continuará a subir e muito. Este ano, o 'buraco' das contas públicas chegará a 8% do produto interno bruto (PIB), mas em 2011 já estará muito próximo de 9%.

Segundo as contas de Bruxelas, à luz das políticas actuais do governo PS, a dívida pública, que representa os encargos que terão se ser pagos no futuro, atingirá os 153,5 mil milhões de euros em 2011 ou 91% do PIB, um aumento de 50 mil milhões face a 2007, ano em que começou a crise. É alarmante dizem vários economistas.

Desde o início da década que a dívida pública, embora crescesse, esteve relativamente contida na casa dos 50% e 60% do PIB. Agora, depois da crise, os encargos que terão de ser pagos pelas gerações futuras agravam-se de forma dramática. É este dinheiro que está a ser e será usado para financiar os grandes investimentos que o Estado já tem no terreno e os que ainda pretende lançar, como o TGV e o novo aeroporto.

"É lamentável o que está a acontecer. Basicamente, é aquilo que sempre se fez: tentar crescer com base no endividamento", defende João Cantiga Esteves, professor de Economia do ISEG. "Que se implemente um plano anticrise muito calibrado e direccionado, tudo bem. Agora, os números da Comissão Europeia mostram que Portugal e os outros países estão a ir muito além do admissível. No caso de Portugal, sem resultados económicos visíveis. A estagnação do próximo ano e o crescimento de 1% em 2011 não chega para recuperar os empregos que se perderam nos últimos anos, nem para fazer baixar o desemprego", lamenta.

Entre o início da crise (2007) e 2011, Portugal registará uma destruição de 112 mil empregos. Só na anterior legislatura (2005 a 2009) o número de empregados na economia caiu 70,5 mil. Sócrates tinha estabelecido como meta criar 150 mil novos postos de trabalho. Em 2011, mesmo com um crescimento de 1%, o emprego vai estagnar, depois de dois anos consecutivos de perdas.

Paula Carvalho, economista do Banco BPI, também admite que "há coisas nas contas públicas que até podem melhorar com o tempo - o plano anticrise vai ser retirado aos poucos, a economia vai crescer um bocadinho mais e gerar mais receitas fiscais". A continuação da reforma da função pública e a contenção da despesa com salários é um dos vectores que pode ajudar a reverter a explosão do défice.

"Mas esta crise veio agravar os problemas estruturais que já existiam. O mais evidente é o da dívida pública. Mesmo que o governo ajuste algumas políticas para regressar à consolidação orçamental - e é expectável que o faça - a dívida e os juros que sobre ela incidem devem aumentar de forma expressiva", acrescenta a economista.

O professor universitário relembra que "falta ainda o pior: o BCE deve começar a subir taxas de juro no final de 2010, o que causará uma pressão devastadora na dívida e nos impostos", insiste.

Tudo indica que, em 2011, os portugueses começarão a sentir na carteira a segunda parte do custo da crise. O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, e o consenso dos ministros das Finanças europeus, pedem que os governos tenham cuidado a retirar as medidas de estímulo orçamental para que os países não deslizem de novo para uma recessão. A "retirada prematura de qualquer estímulo orçamental com o início de esforços superiores de consolidação orçamental" é um dos maiores riscos actuais.

Os aumentos "deliberados" de despesa para acudir a famílias e empresas, como ontem referiu o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, foi crucial para segurar a economia.

Mas o caminho de saída já está a ser pensado. "Portugal necessita de uma estratégia de médio prazo, como estava a fazer antes da crise, de consolidação das contas públicas, porque o nível do endividamento está a aumentar mais uma vez rapidamente", alertou ontem em Bruxelas, Joaquín Almunia, o comissário europeu para os assuntos económicos».
Vale a pena ler! E reflectir! E pensar bem na vida!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

#035 Preso de mim

Procuro as palavras certas que me libertem a consciência, prisioneira que está dos dogmas que a vida me foi inculcando.
Oiço o silêncio deste quarto onde me encalusuro em busca do que não posso encontrar.
A televisão mostra-me o óbvio e vulgar, por vezes mesmo aquilo que não quero ver.
Será que alguém me consegue ouvir?
Será que alguém me ouve a rir?
Algo me prende. Algo me segura.
Vou dormir, pois o cansaço é mais que muito.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

#035 Tranquilidade

Escrevo hoje sem nexo de causalidade. Escrevo apenas palavras soltas ao vento, que traduzem um estado de alma quase anestésico, embriagado que estou com a chegada de rompante deste Outono quente.

Em breve – dentro de dias – cumprirei mais um aniversário, que agora celebro com a serenidade que a “ternura dos 40” já me permite compreender. Como estou diferente!

A forma de olhar o Mundo, a Vida, a Natureza, as Pessoas, os Factos, os Problemas, as Encruzilhadas, os Dramas, as Causas, são hoje encaradas com mais objectividade e frontalidade. Continuo a tomar decisões, a assumir proposições verdadeiras e falsas, a intuir o terreno que piso. Mas, ao mesmo tempo, penso que aprendi a conhecer-me melhor, a ser mais autêntico, mais frontal, mais humano, mais tolerante e fraterno.

O milagre da transmutação deu-se e sinto não cometer grandes maldades. Não sou crente em nenhum Deus nem em nenhum dogma mas valorizo as coisas simples, como os bichos, as flores, as crianças, os amores, as paixões, os pingos da chuva, os raios de luz da madrugada, os olhares cúmplices de crianças e inocentes, um jogo simples de futebol.

Recordo a entrevista de António Lobo Antunes a Judite de Sousa e a forma poética como em prosa ele se exprimiu. Por exemplo, o milagre do homem alentejano que, com fato velho e sem gravata, se apresentava no IPO para tratamento e, aos olhos do escritor, vestia a mais bela gravata que um homem poderia usar. Aprendi a ver o invisível e recordo frases da minha mocidade como aquela que dizia que “o essencial é invisível aos olhos e só se vê com o coração”.

Para testemunhar este estado de alma, tranquilo, apesar da turbulência do mundo em que vivemos, aqui fica uma música do Youtube que recomendo a quem procura paz e serenidade.



domingo, 18 de outubro de 2009

#034 Futuro

As eleições não são - nunca foram - um fim.
Com as eleições perspectivam-se futuros, desenham-se cenários num tempo que se deseja fértil de bons acontecimentos e sereno no momento da colheita.
É assim em todo o lado: em Abrantes, Sardoal, Mação, Constância, Vila de Rei, Gavião, Ourém, Rio Maior, Santarém, Porto, Lisboa, Faro, em todo o lado.
Quem ganha está sempre de parabéns, por isso, o PS de Abrantes está de parabéns.
Muitos dos que perdem também merecem felicitações e uma palavra de ânimo. Só os que perdem sem honra nem glória, que têm mau perder, que preferem fazer uso de palavras insultuosas no rescaldo ou na ressaca de uma derrota que não desejavam ter, esses, ao contrário dos primeiros, não estão de parabéns. É tempo de lhes apresentarmos sentidas condolências. Sem escárnio, sem ironia, sem gozação.
Não tenho nenhuma vaidade especial em ser comentador da Antena Livre. Ou melhor, tenho honra e orgulho mas não me sinto vaidoso ou pretensioso. E, ao contrário do que alguém possa pensar (pelo menos afirmar, já que pensar é exercício que não se atribui a todos os seres vivos) não estou lá para ajustar contas com ninguém.
Fui convidado. Aceitei. Acho que reúno algumas características, nomeadamente experiência de vida, cultura geral e sentido cívico de serviço à comunidade a que pertenço, motivos que considero terem sido suficientes para ter sido convidado pelo Jerónimo Jorge.
E assim vai ser, procurando ser equilibrado e ter bom senso durante a série de programas do Radiografia que estão previstas. Sei que o programa é ouvido em Abrantes, Covilhã, Leiria, Lisboa, Queluz-Massamá, Cascais, para além da cobertura das ondas hertzianas, fruto das tecnologias web. Tenho recebido ecos dessa realidade.
Não sou apolítico nem sequer apartidário. Por isso, as minhas afirmações não são equidistantes face a todos os assuntos e pontos de vista. Nem isso me foi pedido ou, sequer, sugerido. O que eu digo, nesse programa, é o que eu penso e o que eu penso está condicionado pelo que sou, pelo que sei, pelo que vivi e vivo, pelas experiências, pela orientação política que tenho, por um conjunto de valores que enformam a minha personalidade.
Por isso, estive uma semana sem aqui apresentar felicitações a quem venceu e uma palavra de conforto a quem não o fez e a merece.
Para os que perderam as eleições, resta o balanço, por vezes feito no silêncio e no recato que se deve conceder. E, em seguida, o balanço e as contas prestadas a quem os propôs e defendeu.
Não sou apologista de que todos os derrotados devam assumir lugares autárquicos. Como também não o sou aquando de eleições legislativas. Só que, invariavelmente, quando se perde tiram-se ilacções e, tantas vezes, há alterações nas estruturas políticas dirigentes, de modo a melhor se prepararem os actos eleitorais futuros.
Se alguém concorreu para ser nº1, qualquer lugar abaixo disso pode não lhe interessar. Eu perdi por duas vezes e fiz 2 mandatos praticamente completos. Apenas não terminei este por motivos de elevado volume de trabalho, que me exige muita dedicação, muito esforço, muitas horas de preparação e de trabalho. Mas, mesmo assim, no Verão que terminou, ainda regressei ao órgão executivo municipal.
Aceito, pois, que quem não venceu possa desejar não ficar 4 anos a fazer oposição. É claro que assumir isso, sendo legítimo e até aceitável, não significs que não haja custos políticos para quem o faz e para o grupo que representa. Desde logo, de orfandade. Mas, também, porque os apoiantes e os votantes gostariam de ver essa(s) pessoa(s) cumprir o mandato que lhe foi atribuído.
Outros há, contudo, que nem sequer têm essa oportunidade, pois não possuem lastro político de apoio que lhes permita ter representação e/ou crédito na comunidade que lhes permita serem eleitos. Alguns desses aceitam o veredicto e a vida continua. Outros, não aceitam o destino que a democracia lhes reservou e decidem agir com má fé, dolo, proferindo insultos, ofensas, calúnias, numa campanha negra que - admito - lhes faz bem ao ego porque despejam a sua raiva e todo o rol de frustrações em cima dos outros.
Como se vê, todas as estratégias são possíveis. Mas o futuro, esse momento que sabemos que vai surgir embora ainda não saibamos de que modo se vai vestir, é pródigo em permitir acertar contas com o passado e com a história.
Por mim, por agora, fico apenas a assistir. No futuro, logo se vê.
O futuro não está escrito nem pré-determinado. Somos nós que o construímos, ou que o destruímos - depende da perspectiva.

sábado, 10 de outubro de 2009

#033 Reflexão

O debate passou, foi engraçado. A campanha continuou, animada.
Hoje é dia de reflexão. Amanhã é dia de decisão. Para nos ajudar a passar o dia teremos o jogo de futebol com a selecção nacional e confrontar-se com a Hungria.
Vou tentar aproveitar para descansar e ler. Olho para a minha mesa de cabeceira e até me assusto com a quantidade de livros que comecei a ler e sinto que devo abreviar as leituras, para que as mesmas não se transformem num pesadelo.
O que tenho eu aqui ao lado?
- A Geografia da Felicidade, de Eric Weiner;
- O Processo, de Franz Kafka;
- Quando Nietzsche chorou, de Irvin D. Yalom;
- Os Cinco Desafios de uma Equipa, de Patrick Lencioni;
- O Livreiro de Cabul, de Asne Seierstad;
- O Livro da Ignorância Geral, de John Lloyd e John Mitchinson;
- Cultura, de Dietrich Schwanitz;
- Breve História do Saber, de Charles Van Doren.
Falta-me aqui, agora reparo, o Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Anda por aí algures. Este e o Livreiro de Cabul são os que estão mais perto do final.
Mas, ao mesmo tempo, tenho sono e apetece-me dormir e quase nada fazer. E esperar, porque ainda estou a reflectir para o dia de amanhã.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

#032 Debate na Antena Livre hoje mesmo e reflexão sobre eleições autárquicas

Hoje é dia do grande debate Antena Livre com os candidatos.
Ouvi parte do debate de Domingo, na Rádio Tágide.
Belo esforço de Mário Rui Fonseca e da Patrícia Seixas. Foi pena a qualidade do som ser muito má.
Não gostei do debate, por culpa dos candidatos. Muito monocórdicos, excessivamente respeitadores dos tempos, com poucas interrupções de palavra e pouco contraditório nas ideias. Houve contraditório, sim, em questões menores, mais pessoalizadas, de ataques políticos de postura pessoal, como foi o caso de Maria do Céu Albuquerque com Albano Santos e ia sendo entre este e Santana Maia Leonardo.
Era bom que houvesse um debate para os candidatos à Junta de Freguesia de São Vicente.
Tenho muita simpatia pelo Luís Nuno Albú Dias. Sempre gostei da sua forma de ser. Acho que poderá dar um excelente autarca e é uma marca de inovação e renovação em muitas formas de fazer e pensar e agir em prol da comunidade.
Gostava que as pessoas o pudessem conhecer ainda mais e melhor, porque as pessoas são tradicionalmente conservadoras e raramente tiram o poder a quem o exerce, a menos que o exerça muito mal.
Em São João, veremos o que pode dar a disputa de Fernando Soares e Alfredo Santos, representando indepedentes e socialistas, comendo no mesmo espaço eleitoral. Veremos se chega para que Manuel Nogueira, pelo PSD, possa colher os réditos que ambiciona.
Alferrarede será outra incógnita. A minha amiga Regina Martins foi preterida pelo PSD e vai pelos independentes. Pedro Moreira recandidata-se. Adelino Venâncio também, sem a força de outrora. Serão suficiente para Dora ver chegar a sua vez?
Prevejo outra luta interessante em São Miguel do Rio Torto, onde os independentes se apresentam com gente que vem sobretudo da actual linha do PS. O PS, por sua vez, muda de candidato. Gosto da Raquel Almeida, do PSD. Simples, simpática, dinâmica.
Por fim, nas lutas mais difíceis que antevejo para já, São Facundo. Acho que o candidato independente, António Campos, que sempre foi pretendido por todos os partidos, desde há vários anos, vai ver chegar a sua hora. O PS também muda, ao que julgo saber, de candidato. Julgo ser aqui a freguesia onde os independentes terão a sua melhor expressão eleitoral no concelho.
Voltemos ao debate de hoje, uma vez que o que atrás ficou escrito são apenas sensações.
Espero que o Jerónimo Jorge consiga tornar dinâmico, fluído e esclarecedor o debate que será o último. Vamos poder vê-lo depois na TVRibatejo, em diferido ou, no mínimo, no site do Ribatejo?

NOTA: O que dirá hoje Nelson de Carvalho na sua Conferência de Imprensa? Não creio que vá influenciar nada das eleições ou tentar condicionar nada. Será apenas - julgo - uma despedida na semana em que decorrerão as eleições.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

#31 Radiografia, Japão e Eleições Legislativas

Uma crónica com três pontos.
1. O programa Radiografia, da Antena Livre, já está a ser um êxito. Pode não ser ouvido pela totalidade da população e não conheço o share mas os líderes de opinião ouvem e sabem o que lá é dito.
Na última 4ª feira, o programa, na sua segunda edição, entrou a 'esmiuçar' legislativas e autárquicas.
E logo no dia seguinte, para a Antena Livre, houve quem telefonasse a sugerir comentar ou questionar a legitimidade dos comentadores o poderem fazer.
Enfim, a tradicional asfixia democrática.
Sou um dos visados.
Vivo bem com isso.
Continuarei como até aqui, a dar a minha opinião e a minha visão, até que me digam que não faço falta naquela função.
Mas o espírito é bom e as coisas começam a aquecer.
2. Hitoyoshi. O Sr Tanaka e a sua comitiva geminaram a cidade e o concelho que representam com Abrantes. Valeu bem a pena a visita. Penso que a comunidade abrantina respondeu com dignidade e alegria, no seguimento da excelente recepção que nos proporcionaram a nós, em Outubro do ano passado, na nossa visita a Hitoyoshi.
Partiram de Abrantes esta tarde. Fica memória e a saudade. Houve visitas, houve convívio, houve solenidade, houve até diversão e fado, cantado por Joana Amendoeira, numa sala preparada em ambiente intimista. E houve até karaoke e um pézinho de dança.
Gostei de me associar ao evento, mesmo não sendo já vereador. Gostei de rever amigos - que já o são. Gostei das sementes que foram lançadas. E cá estarei para participar no acolhimento aos jovens japoneses, quando essa oportunidade chegar, se necessário for.
3. Domingo é dia de eleições legislativas. As sondagens são o que são e hoje conheceram-se várias que apontam para uma vitória do PS e do Engº José Sócrates. Várias razões existirão, se assim se confirmar. A estratégia da asfixia democrática revelou-se uma estratégia que não colhe na opinião pública? Ou o caso Lima-escutas foi outro auxiliar extra? Domingo tentaremos ver como todos os comentadores reagirão à verdade dos votos contados e como reflectem no comportamento dos partidos na formualação dos seus juízos e na preparação das respectivas leituras de dados.
Vamos lá votar. Ficar em casa é que não.