«O que torna algo complexo não é apenas a diversidade ou o número dos seus componentes, mas a sua interconectividade». - BATTRAM, A. (2004) - Navegando na complexidade. Lisboa: Instituto Piaget
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
#050 Um Dia pela Vida
sábado, 20 de fevereiro de 2010
#049 Sãos e doentes
#048 PSD e algo mais...
sábado, 6 de fevereiro de 2010
#047 Eu e o meu eu!
Recordo-me que desde Sábado passado corri muitos quilómetros: 8 no Sábado, 14 no Domingo, 7 na Segunda, 8 na Terça, 8 na Quarta, parei na Quinta e 11 na Sexta. Ao todo perfaz 56 quilómetros.
Correr não é, para mim, um mero acto físico.
Há quase um ano e meio decidi modificar os meus hábitos alimentares e dedicar-me mais a fazer do meu corpo uma ferramenta que possa contribuir para um envelhecimento com dignidade.
Cheguei àquela fase da vida em que o declínio do vigor físico se vai começar a fazer sentir. Primeiro, sem que eu note nada de especial. Apenas coisas pontuais. Depois, certamente, com mais provas e evidências que ire notar.
Corria 200 metros e ficava para morrer com falta de ar e com o batimento cardíaco. Também comia de tudo um pouco e bebia bebidas destiladas. E fumava cigarrilha e charuto, após longas, prolongadas e hiper-calóricas refeições. E havia as sobremesas, essas coisas que inventámos como se o nosso corpo precisasse de mais açucar do que aquele que há fruta e nos alimentos.
Comecei por correr, andar de bicicleta, jogar futebol novamente com um grupo de amigos, às segundas-feiras, no pavilhão da Escola D. Miguel de Almeida.
Confesso que andar de bicicleta não me entusiasma, talvez por a minha ser pesada e não me sentir preparado psiquicamente para despender muito dinheiro por uma mais leve.
O futebol, este ano lectivo, com a escola em obras, ficou sem efeito.
Sobrou a corrida. Primeiro ao ar livre, depois numa passadeira, em casa.
Comprei também uns aparelhos de halteres. Passei a ir, de vez em quando ao ginásio, aprender novos exercícios que possa fazer em casa, corrigir outros que possa estar a praticar e sejam inadequados ou os esteja a executar de modo deficiente.
Ao mesmo tempo, mudei de hábitos alimentares. As carnes vermelhas saíram da minha dieta alimentar, por regra. Muito esporadicamente como porco ou vaca. Passei a comer frango, peru, coelho, e peixes como o salmão, o atum, pescada e ainda outros bichos do mar como os camarões, o polvo ou os chocos.
Acompanho com dieta variada de massas com legumes ou só legumes, muito diferenciados, seja em salada ou estufados. Aí não sou esquisito: couve, cenoura, tomate, alface, rúcula, feijão verde, courgette, beringela, cogumelos (muitos e de muitas variedades).
Faço isto diariamente. Só bebo água fora das refeições e o pão faz parte do pequeno almoço, assim como os cereais da última e ligeira refeição, antes de me deitar.
Batata, arroz e açucares estão banidos por mim, em regra. Fruta e sopa é obrigatório.
À noite, muitas vezes, acompanho o jantar com um copo de vinho tinto.
A verdade é que perdi mais e 20 quilos e ganhei uma nova força física e psíquica. Até a minha acuidade visual melhorou. Usava óculos e na última consulta a que fui, ao oftalmologista, o mesmo disse-me que não preciso de usar óculos. O mesmo que os havia prescrito anos antes e que já me reforçara a graduação.
Tenho força e vigor. Acordo sempre com boa disposição. Subo e desço escadas sem me cansar e tenho uma energia no trabalho que tinha perdido.
Tenho esperança de que esta nova forma de encarar a vida, mais saudável, possa prolongar o momento do declínio do corpo e da mente. Tenho vontade de viver! Não quero ter os mesmos problemas que os meus antecessores, de ambos os lados (materno e paterno) tiveram, sobretudo os homens, de uma vida curta e sem o prazer de usufruir a sua velhice com dignidade.
Estabilizei agora o meu peso: 73-74 quilos. Raramente chego aos 75 mas não fico alarmado com isso nem vivo em função da balança. Há mais de 15 dias que não me peso mas se pesar mais, sei que será por massa muscular e não por gordura acumulada.
É evidente que há aqui mais do que mera questão física.
Há o prazer de gostar de me ver mais bem cuidado e com melhor apresentação.
Há o prazer de saber que não me canso como cansava.
Há o prazer de comprovar que tenho mais energia para trabalhar e mais poder de concentração para fazer as coisas bem feitas, durante mais tempo, sem evidenciar a fadiga que antes evidenciava.
Há a sensação de bem-estar que o exercício físico provoca.
Há ainda a forma mais lúdica como encaro a vida. A forma como hoje me preparo para ir assistir a um concerto, a um bailado, a uma peça de teatro, a uma sessão de cinema ou a visitar um museu, coisas que não fazia por serem um fardo.
Há a noção de que a escrita voltou a fazer parte dos meus objectivos de vida - e voltei a escrever para mim, pensamentos e histórias, narrativas e ficções, testemunhos de alma e apontamentos de factos da vida.
Afastei-me da vida política activa. Colaboro num programa de rádio. Ainda penso em dar algum tempo à arte de Talma, proporcionar-me mais espaço de reflexão e encontro de um caminho sereno e lúcido, para poder deixar-me envelhecer com dignidade, compreendendo as limitações que a força do tempo irá trazer. Não se ganha nunca a luta contra o tempo. Nem tem de ser empreendida nenhuma luta contra o tempo. Eu procuro fazer o meu trabalho de me preparar para a intervenção que o tempo terá no meu eu. Sei que o tempo, desde que é tempo, decidiu andar sempre para a frente. E eu aplaudo a forma coerente como esse, ao menos e ao contrário dos políticos, não muda nunca a direcção, nem o seu destino, nem o ritmo a que pula e pula e pula, sempre no mesmo sentido.
É neste ponto que me encontro e é esta a reflexão que faço, ao correr da pena, a um Sábado matinal de Fevereiro de 2010.
Xiiiiiii! 2010?
Quando eu era miúdo pensava que, se chegasse ao ano 2000, faria 32 anos e que seria já velho. Agora que, dez anos depois, vou a caminho dos 42, sinto-me novo e espero "dobrar" ainda algumas décadas que o tempo - sempre o tempo! - fixa no calendário.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
#046 O vazio
É!
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
#045 O regresso aos campos
domingo, 17 de janeiro de 2010
#44 A meio de Janeiro
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
#043 Breve reflexão de Ano Novo
domingo, 29 de novembro de 2009
#041 Portugal pode falir? Pode, claro, como qualquer outro país...
Contratempo dá prémio a alunos da ESTA
#040 Pedrada no Charco
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
#039 Leituras
SEGUNDO A OPINIÃO DE ILUSTRES PENSADORES DO PASSADO E DO PRESENTE
O frango atravessou a rua. Porquê?
Professora Primária
"Porque o frango queria chegar ao outro lado da rua."
Criança
"Porque sim."
Platão
"Porque queria alcançar o Bem."
Aristóteles
"Porque é da natureza do frango atravessar a rua."
Descartes
"O frango pensou antes de atravessar a rua, logo, existe."
Rousseau
"O frango por natureza é bom; a sociedade é que o corrompe e o leva
atravessar a rua."
Freud
"A preocupação com o facto de o frango ter atravessado a rua é um
sintoma de insegurança sexual."
Darwin
"Ao longo dos tempos, os frangos vêm sendo seleccionados de forma
natural, de modo que, actualmente, a sua evolução genética fê-los
dotados da capacidade de cruzar a rua."
Einstein
"Se o frango atravessou a rua ou se a rua se moveu em direcção ao
frango, depende do ponto de vista... Tudo é relativo."
Martin Luther King
"Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos livres podem
cruzar a rua sem que sejam questionados os seus motivos. O frango
sonhou."
George W. Bush
"Sabemos que o frango atravessou a rua para poder dispor do seu
arsenal de armas de destruição maciça. Por isso tivemos de eliminar o
frango."
Cavaco Silva
"Porque é que atravessou a rua, não é importante. O que o país precisa
de saber é que, comigo, o frango vai dispor de uma conjuntura
favorável. Não colocarei entraves para o frango atravessar a rua."
José Sócrates
"O meu governo foi o que construiu mais passadeiras para frangos.
Quando for reeleito, vou construir galinheiros de cada lado da rua
para os frangos não terem de a atravessar. Cada frango terá um
documento único de identificaçãoo e será avaliado e tributado de
acordo com a sua falta de capacidade para atravessar a rua."
Mário Soares
"Já disse ao frango para desistir de atravessar a rua! Eu é que vou
atravessar! Não vou desistir porque sei que os portugueses querem que
eu atravesse outra vez a rua!!!"
Manuel Alegre
"O frango é livre, é lindo, uma coisa assim... com penas! Ele
atravessou, atravessa e atravessará a rua, porque o vento cala a
desgraça, o vento nada lhe diz!"
Jerónimo de Sousa
"A culpa é das elites dominantes, imperialistas e burguesas que
pretendem dominar os frangos, usurpar os seus direitos e aniquilar a
sua capacidade de atravessar a rua, na conquista de um mundo
socialista melhor e mais justo!"
Francisco Louçã
"Porque é preciso dizer olhos nos olhos que só por uma questão racista
o frango necessita de atravessar a rua para o outro lado. É uma
mesquinhice obrigar o frango a atravessar a rua!"
Valentim Loureiro
"Desafio alguém a provar que o frango atravessou a rua. É
mentira...!!! É tudo mentira!!!"
Paulo Bento
"O frango atravessou a rua com naturalidade... Era isso que esperávamos
e foi isso que aconteceu, com muita naturalidade. O frango ainda é
muito jovem e estas coisas pagam-se caro, com naturalidade!!!"
Zézé Camarinha
"Porque foi ao engate! É um verdadeiro macho, viu uma franga camone do
outro lado da rua e já se sabe, não perdoou!!!"
Lili Caneças
"Porque se queria juntar aos outros mamíferos."
sábado, 7 de novembro de 2009
#038 Declaração de Vontade
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
#037 Se não fosse trágico, até seria cómico...
No caso de Portugal, entre 2009 e 2011, a carga de impostos e contribuições deve aumentar 2,5 mil milhões de euros, mas tal será insuficiente para evitar uma explosão no défice orçamental. A despesa continuará a subir e muito. Este ano, o 'buraco' das contas públicas chegará a 8% do produto interno bruto (PIB), mas em 2011 já estará muito próximo de 9%.
Segundo as contas de Bruxelas, à luz das políticas actuais do governo PS, a dívida pública, que representa os encargos que terão se ser pagos no futuro, atingirá os 153,5 mil milhões de euros em 2011 ou 91% do PIB, um aumento de 50 mil milhões face a 2007, ano em que começou a crise. É alarmante dizem vários economistas.
Desde o início da década que a dívida pública, embora crescesse, esteve relativamente contida na casa dos 50% e 60% do PIB. Agora, depois da crise, os encargos que terão de ser pagos pelas gerações futuras agravam-se de forma dramática. É este dinheiro que está a ser e será usado para financiar os grandes investimentos que o Estado já tem no terreno e os que ainda pretende lançar, como o TGV e o novo aeroporto.
"É lamentável o que está a acontecer. Basicamente, é aquilo que sempre se fez: tentar crescer com base no endividamento", defende João Cantiga Esteves, professor de Economia do ISEG. "Que se implemente um plano anticrise muito calibrado e direccionado, tudo bem. Agora, os números da Comissão Europeia mostram que Portugal e os outros países estão a ir muito além do admissível. No caso de Portugal, sem resultados económicos visíveis. A estagnação do próximo ano e o crescimento de 1% em 2011 não chega para recuperar os empregos que se perderam nos últimos anos, nem para fazer baixar o desemprego", lamenta.
Entre o início da crise (2007) e 2011, Portugal registará uma destruição de 112 mil empregos. Só na anterior legislatura (2005 a 2009) o número de empregados na economia caiu 70,5 mil. Sócrates tinha estabelecido como meta criar 150 mil novos postos de trabalho. Em 2011, mesmo com um crescimento de 1%, o emprego vai estagnar, depois de dois anos consecutivos de perdas.
Paula Carvalho, economista do Banco BPI, também admite que "há coisas nas contas públicas que até podem melhorar com o tempo - o plano anticrise vai ser retirado aos poucos, a economia vai crescer um bocadinho mais e gerar mais receitas fiscais". A continuação da reforma da função pública e a contenção da despesa com salários é um dos vectores que pode ajudar a reverter a explosão do défice.
"Mas esta crise veio agravar os problemas estruturais que já existiam. O mais evidente é o da dívida pública. Mesmo que o governo ajuste algumas políticas para regressar à consolidação orçamental - e é expectável que o faça - a dívida e os juros que sobre ela incidem devem aumentar de forma expressiva", acrescenta a economista.
O professor universitário relembra que "falta ainda o pior: o BCE deve começar a subir taxas de juro no final de 2010, o que causará uma pressão devastadora na dívida e nos impostos", insiste.
Tudo indica que, em 2011, os portugueses começarão a sentir na carteira a segunda parte do custo da crise. O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, e o consenso dos ministros das Finanças europeus, pedem que os governos tenham cuidado a retirar as medidas de estímulo orçamental para que os países não deslizem de novo para uma recessão. A "retirada prematura de qualquer estímulo orçamental com o início de esforços superiores de consolidação orçamental" é um dos maiores riscos actuais.
Os aumentos "deliberados" de despesa para acudir a famílias e empresas, como ontem referiu o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, foi crucial para segurar a economia.
Mas o caminho de saída já está a ser pensado. "Portugal necessita de uma estratégia de médio prazo, como estava a fazer antes da crise, de consolidação das contas públicas, porque o nível do endividamento está a aumentar mais uma vez rapidamente", alertou ontem em Bruxelas, Joaquín Almunia, o comissário europeu para os assuntos económicos».
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
#035 Preso de mim
terça-feira, 27 de outubro de 2009
#035 Tranquilidade
Escrevo hoje sem nexo de causalidade. Escrevo apenas palavras soltas ao vento, que traduzem um estado de alma quase anestésico, embriagado que estou com a chegada de rompante deste Outono quente.
Em breve – dentro de dias – cumprirei mais um aniversário, que agora celebro com a serenidade que a “ternura dos 40” já me permite compreender. Como estou diferente!
A forma de olhar o Mundo, a Vida, a Natureza, as Pessoas, os Factos, os Problemas, as Encruzilhadas, os Dramas, as Causas, são hoje encaradas com mais objectividade e frontalidade. Continuo a tomar decisões, a assumir proposições verdadeiras e falsas, a intuir o terreno que piso. Mas, ao mesmo tempo, penso que aprendi a conhecer-me melhor, a ser mais autêntico, mais frontal, mais humano, mais tolerante e fraterno.
O milagre da transmutação deu-se e sinto não cometer grandes maldades. Não sou crente em nenhum Deus nem em nenhum dogma mas valorizo as coisas simples, como os bichos, as flores, as crianças, os amores, as paixões, os pingos da chuva, os raios de luz da madrugada, os olhares cúmplices de crianças e inocentes, um jogo simples de futebol.
Recordo a entrevista de António Lobo Antunes a Judite de Sousa e a forma poética como em prosa ele se exprimiu. Por exemplo, o milagre do homem alentejano que, com fato velho e sem gravata, se apresentava no IPO para tratamento e, aos olhos do escritor, vestia a mais bela gravata que um homem poderia usar. Aprendi a ver o invisível e recordo frases da minha mocidade como aquela que dizia que “o essencial é invisível aos olhos e só se vê com o coração”.
Para testemunhar este estado de alma, tranquilo, apesar da turbulência do mundo em que vivemos, aqui fica uma música do Youtube que recomendo a quem procura paz e serenidade.