domingo, 20 de junho de 2010

#055 Viabilizar Portugal

Portugal, tal como hoje o conhecemos, não é viável.
Não temos dimensão, não temos força produtiva, não somos capazes de nos auto-sustentarmos e de nos governarmos sem ajudas externas.
A nossa economia não possui músculo empresarial, endogenamente não temos recursos que nos tornem auto-suficientes.
Existe uma cura mas a mesma é muito dolorosa.
Aceito que se cortem salários e se aumentem os impostos, mas apenas de forma muito, muito transitória. Mas apenas com a condição de se reformar Portugal, para se pensar como poderemos ser viáveis.
Seguramente, não acredito que o possamos ser com esta realidade político-administrativa. Portugal não pode ter tantas freguesias e tantos municípios. Portugal não pode ter tantos autarcas e tantos trabalhadores de autarquias, que tendem a repetir o mesmo, replicando coisas acertadas e coisas erradas. A fase pós-25 de Abril, em que as autarquias fizeram trabalho em prol das populações, está a esgotar-se. Hoje, são outras as preocupações.
Portugal não pode continuar a alimentar uma realidade de administração central fragmentada em serviços de proximidade com tamanha pulverização, nada geradores de vantagens organizacionais e largamente consumidores de recursos humanos, técnicos, logísticos e financeiros, seja na área da educação, da saúde, da segurança social ou outras.
Portugal não pode continuar a apostar num sistema de apoio social que mantém o interior do país despovoado, as terras produtivas por cultivar e a floresta em estado de abandono, sobretudo no caso das propriedades de pequena dimensão, há muito abandonadas.
É preciso olhar para o futuro e tomar decisões. Vai haver contestação, vai haver lamentos, lamúrios e incompreensões. Mas algo tem de ser feito. Não podemos continuar a ter o 'monstro', a ser alimentado por sacrifícios cada vez maiores impostos às famílias e às gerações que se nos seguirão.
Não o fazer será crime, o que julgo ser bem pior.
Mas, para que isto seja possível, precisamos de uma maioria absoluta bem forte para ter legitimidade para agir.
Os tempos que aí vêm serão mais tortuosos. Para viabilizar Portugal impõe-se energia, determinação, clarividência e fazer tudo diferente do que tem sido feito, alternadamente, desde o 25 de Abril, que tem sido mais do mesmo, com todos os responsáveis a contribuírem para enterrar Portugal, um país que é já quase cadáver e se encontra doente em fase terminal.

2 comentários:

Anónimo disse...

Concordo e assino por baixo amigo =)
Se kiseres apoiar-me como presidente, irei certamente mudar Portugal =)

Pedro Marques disse...

Os Presidentes nada mandam. E os Primeiros Ministros são telecomandados por uma nomenklatura que os lá coloca. Cada vez tenho menos esperança.